Ana səhifə

A cut na contramão eldo Luiz P. de Abreu – mpdft júnior Alves tjdft breve histórico


Yüklə 17.9 Kb.
tarix11.06.2016
ölçüsü17.9 Kb.
A CUT NA CONTRAMÃO
Eldo Luiz P. de Abreu – MPDFT

Júnior Alves - TJDFT

Breve histórico

  1. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) foi criada em 1983, no Congresso dos Metalúrgicos de São Bernardo de Campo. Nasceu como um instrumento para a luta dos trabalhadores, não só em defesa de suas demandas mais imediatas, mas apontando também para uma profunda transformação na sociedade, em direção ao socialismo. A CUT, no início dos anos 80, concebia a necessidade de aglutinar os trabalhadores do campo e da cidade na luta contra a exploração do capital. Esta central sindical, por incrível que pareça, foi forjada na luta e as suas decisões partiam da base, já foi democrática, autônoma e classista. O seu crescimento fez parte de um momento histórico importante da classe trabalhadora brasileira que combateu a ditadura militar, os ataques aos direitos humanos e o capitalismo tupiniquim que teve seu ciclo ditatorial abortado justamente no momento em que a central sindical florescia e lutava.


O dilema existencial/institucional da CUT

  1. A CUT de hoje, no entanto, nada tem haver com a central sindical classista e combativa da década de 80 do século passado. A central sindical governista incorporou tudo que havia de ruim no sindicalismo de resultados/colaboracionista e passou a encenar bastante diante da realidade. Atualmente, faz muito teatro, engana os trabalhadores na medida em que imprime verniz de uma luta que já abandonou há muito tempo. Seus dirigentes e ex-dirigentes, outrora ativistas, agora são ministros de Estado, ou parlamentares, e fazem escárnio com as demandas da classe trabalhadora. Enquanto FHC considerava os aposentados como “vagabundos”, a Dilma e seus aliados chamam os servidores públicos de “sangues azuis” para justificar um arrocho salarial sem precedentes na nossa carreira. Desta forma, percebe-se que a CUT se amoldou em duas faces: a CUT dos anos 80 (passado remoto e de luta) e a CUT defensora fervorosa do Governo Lula/Dilma. A CUT que representava os trabalhadores e a CUT que agora é protagonista em elaborar projetos de ataques aos interesses da classe trabalhadora. Ademais, vê-se que, esfacelada por disputas internas por cargos, por confrontos ideológicos abstratos, pela briga por espaços políticos no interior da máquina do Estado e transformada em Central Chapa Branca, a CUT se descaracterizou/degenerou rapidamente e hoje se constitui em verdadeiro cadáver para a luta da classe trabalhadora. A novidade, muito boa neste cenário, é que a central pelega está dia-a-dia perdendo espaço no movimento sindical. Hoje temos como opção no movimento sindical, a CSP-Conlutas (revolucionária e socialista), a CTB (stalinista/governista) e Intersindical (reformistas de centro-esquerda) disputando a representatividade com a gigante e pelega central governista. O peleguismo dos sindicalistas cutistas é tão grande que parece irreversível e incontroverso o novo rumo em direção à reorganização sindical. Falo isso porque houve um tempo em que apenas militantes de partidos de esquerda (PSTU, PSOL, LBI, PCB) denunciavam a traição da CUT e a proclamavam como pelega. Hoje, no entanto, em qualquer tribunal/repartição que você entra encontra servidores proferindo adjetivos para os dirigentes dos sindicatos ligados/amarrados ao Governo Dilma. Cuidado! Ser sindicalista, agora, é ser confundido com corruPTo! A CUT é traidora da classe trabalhadora e ficou desacreditada pela condição de Central Sindical oficial e governista. Virou uma Central pelega e manobrista. Ela foi engolida pelo Poder, está milionária (recursos do FAT, BNDES, convênios diversos com ministérios, etc) e cumprindo um papel institucional que envergonha a classe trabalhadora. Virou central sindical tutelada diretamente pela Casa Civil. Mais parece uma autarquia federal.


A participação de dirigentes na CUT nas diversas esferas de Governo

  1. O PT, que foi fundado, também, no início da década de 80, teve sua composição social e política formada por sindicalistas, ativistas dos movimentos sociais diversos e representantes de segmentos das igrejas católicas (em sua maioria) e evangélicos. Os principais dirigentes dos movimentos sociais e religiosos migraram para cargos no interior da máquina do Estado. Hoje são ministros, assessores, parlamentares, prefeitos, vereadores, reitores de universidades, etc. Estão no Governo, construindo uma agenda política do PT/PMDB/PR/PP/PTB, não mais nas lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Já no movimento sindical, a dinâmica parece ser outra e, apesar de diversos sindicalistas atuarem diretamente no Governo, há, ainda, um processo político consciente por parte do Governo (planejamento tático) primando pela necessidade de se manter agentes do governo infiltrados nas organizações coletivas da classe trabalhadora. Talvez, por uma questão de sobrevivência, o PT e seus novos aliados (PMDB, PR, PP, etc) necessitam manter pelegos à frente das organizações da classe trabalhadora a fim de evitar perdas econômicas para as grandes corporações econômicas que financiam eleitoralmente estes partidos. É em nome das multinacionais e do Estado Burguês/CorruPTo, que os pelegos fraudam eleições nos sindicatos para manter os salários (preço da mão-de-obra) dos trabalhadores congelados por mais de 6 anos. Enfim, cabe destacar neste ponto, as declarações do dirigente da CUT/RJ, Sr. Roberto Ponciano, servidor do PJU, que considerou o aumento de 15,8% parcelados em 3 anos como uma vitória para uma categoria que se encontrava com o salário congelado desde dezembro de 2008. Lamentável! Não se deve transformar derrotas em “vitórias”, mentir para si mesmo e para os servidores apenas para defender o prestígio do seu Governo.


Bandeiras de luta abandonadas

  1. Pra começar faz-se necessário elencar as principais bandeiras históricas dos servidores do PJU/MPU, quais sejam: reposição integral das perdas salariais, isonomia com as carreiras típicas de Estado, jornada de trabalho de 30 horas semanais, luta intransigente contra o assédio moral, contra as terceirizações, etc – bandeiras de luta que vêm sendo abandonadas pelos sindicalistas pelegos da CUT, sintomaticamente em face do grotesco colaboracionismo governista destes reconhecidos capachos dos patrões. O sentimento de todos os servidores é de muita revolta diante desse odioso processo de degeneração do movimento sindical majoritário.




  1. Recentemente, a tática da CUT é preservar o governo de manifestações políticas da classe trabalhadora às vésperas do pleito eleitoral de 2014. Neste contexto, a fim de confundir a classe trabalhadora, a central sindical governista vai para as ruas com fantoches, funcionários pagos e outros tipos de profissionais e aliados encenando pela defesa de nossos direitos. Os cutistas se recusam a fazer “unidade de ação” com aqueles que portam faixas, proferem palavras de ordem e quaisquer manifestações que denunciem efetivamente o governo Dilma na retirada de nossos direitos. A CUT divide a classe trabalhadora! De um lado você tem o governo atacando os direitos da classe trabalhadora e, de outro, a CUT e demais centrais governistas procurando suavizar o impacto político/eleitoral destes ataques, encenando nas ruas com bandeiras e militantes pagos e desqualificados politicamente.




  1. Por fim, conclui-se que o cenário é bastante desagregador para a classe trabalhadora. Há, ainda, os sectários no movimento sindical que proclamam o abandono da atuação dentro dos sindicatos e centrais sindicais alegando seu caráter reacionário, veja o que diz Lênin a esse respeito em sua obra Esquerdismo, doença infantil do comunismo: “Não atuar nos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou atrasadas à influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia, dos operários aristocratas ou aburguesados”.



O papel da CUT

  1. A CUT há muito tempo deixou de fazer a luta dos trabalhadores. Hoje, essencialmente, quem dirige os sindicatos e a CUT, é a sua diretoria, e não a base. O lema “CUT pela base” que marcou a fundação dessa central em 1983 ficou nisso, no lema, pois a história do crescimento e da consolidação da CUT é também a história da exclusão da base de suas instâncias fundamentais de decisão. Recentemente a FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Publicas do Brasil) desfiliou-se da CUT. Vejam o relato de Paulo Barela, dirigente da CSP-Conlutas: “fui dirigente da CUT e agora luto para combater a política do governo que está sendo tocada pela central”. Segundo o dirigente, hoje a CUT defende os interesses do governo. “Só temos uma saída: mobilização da classe trabalhadora e desfiliação da CUT”. Naquela ocasião, de discussão sobre a desfiliação da CUT no âmbito do Congresso da FASUBRA, Vitor Zago, do Andes, também defendeu a desfiliação da Fasubra da CUT. Para ele é preciso que a federação retome a luta que era feita no passado. Ele contou um pouco da história do Andes e disse que, em 2003, depois da reforma da previdência, a filiação do Andes à CUT ficou insustentável. “Fizemos a desfiliação da central e estamos satisfeitos”, garante. Além da FASUBRA e do ANDES, supracitados, a FENASPS e ASSIBGE também se desfiliaram da CUT.


A Estrutura sindical

  1. A CUT é uma central sindical milionária. Em 2012, segundo dados do IBGE, a CUT era a 5ª maior Central Sindical do mundo com 22 milhões de trabalhadores “representados” e 3.864 sindicatos filiados. A CUT atual representa cerca de 50% dos sindicatos e é a maior central sindical da América Latina.




  1. Sendo assim, quando há uma greve há de se imaginar que os sindicatos e os trabalhadores não precisam passar por tantas dificuldades logísticas, em aprender tudo desde o começo, nem reinventar a roda e que existe uma excelente infra-estrutura por trás da sua central sindical. Presume-se, desta forma, que já existe uma central sindical onde estão outros operários e trabalhadores profissionais que já passaram por greves e enfrentamentos com a patronal e vão ajudar na luta. Imagina-se que há também uma estrutura de advogados, carros de som, computadores, telefones celulares e dinheiro que está a serviço da luta. Que há dirigentes sindicais liberados de seu trabalho normal para se dedicarem unicamente à mobilização e à conscientização dos trabalhadores. Nada disso! Pura ilusão! A realidade é que toda essa organização - que foi uma enorme conquista de nossa classe, tendo muito sangue operário sido derramado para que pudéssemos construí-la - está em estado inercial e/ou moribundo. Precisamos de uma central sindical sim, mas que lute! É imprescindível uma direção que tenha clareza da situação que enfrentamos e armada com um programa adequado para superar estes desafios.




  1. Ademais, todos nós sabemos que uma central sindical tem que ter independência política e financeira. Com a utilização das verbas do FAT para financiar projetos de centrais e de sindicatos, inaugurada ainda no governo FHC (1995-2002) e, depois, com os convênios com bancos estatais e ministérios, a relação com os fundos de pensão, no governo Lula, essa dependência ganhou outra dimensão. Os pelegos ficaram atrelados à estrutura do Estado. Também se institucionaliza a prática das centrais e sindicatos buscarem apoio financeiro com os empresários para financiar suas atividades. Essas práticas devem ser abolidas. As festas de 1º de Maio promovidas pela CUT e Força Sindical em São Paulo são expressão disso.



CONCLUSÃO

  1. A CUT é parte integrante da estrutura do Estado com objetivos declarados de controlar e disciplinar os trabalhadores aos objetivos do capital;

  2. A CUT vive uma crise profunda do ponto de vista ético, moral e representativo;

  3. A CUT é omissa nas greves dos servidores contra os ataques desferidos pelo Governo Dilma;

  4. A CUT atual é governista, pelega, neoliberal e colaboradora do governo.

  5. Propomos que seja submetida à deliberação do Congresso a Proposta de desfiliação imediata da FENAJUFE à CUT!


Verilənlər bazası müəlliflik hüququ ilə müdafiə olunur ©kagiz.org 2016
rəhbərliyinə müraciət